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Este blog tem como proposito explanar assuntos inerentes ao PENSAMENTO, seja ele filosófico, cientifico ou religioso.

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terça-feira, 30 de junho de 2009

O Estado de Não-Mente

A mente não pode ficar quieta. Ela precisa estar continuamente pensando, preocupando-se.
A mente funciona como uma bicicleta: se você segue pedalando, ela continua; no momento em que você pára de pedalar, você cai.
A mente é exactamente como uma bicicleta; e o seu pensar é o constante pedalar. E quando algumas vezes você esteja um pouco silencioso, imediatamente você começa a preocupar-se : "Por que estou tão silencioso?".
Qualquer coisa servirá para criar pensamento, preocupação, porque a mente só poderá existir correndo, sempre correndo, atrás de alguma coisa ou correndo de alguma coisa, mas sempre correndo.
Na corrida está a mente. No momento em que você pára, a mente desaparece.
Entretanto, a menos que você seja capaz de pôr a mente toda de lado e perceber o mundo directamente, instantaneamente, com a sua consciência, você nunca será capaz de perceber a verdade.
Neste mundo a coragem é colocar a mente de lado. A conquista maior é conseguir perceber o mundo sem a barreira da mente, simplesmente como ele é. E ele é tremendamente diferente, incrivelmente belo, sem as distinções que a nossa mente cria.
Assim, somente uma pessoa em estado de não-mente saboreia a vida na sua totalidade.
E esta é toda a arte da vida. Viver sem nenhuma distinção, sem nenhuma discriminação, sem nenhuma escolha.
O estado de não-mente é o estado de êxtase.
O estado de não-mente é o estado do fluir da vida.

domingo, 28 de junho de 2009

Osho - O Seu verdadeiro Eu

A meditação é simplesmente um artifício para torná-lo consciente do seu verdadeiro eu - que não é criado por si, que não precisa ser criado por si, porque você já é.
Você nasceu com ele. Você é ele! Ele precisa ser descoberto. Se isso não é possível, ou se a sociedade não permite que isso aconteça - e nenhuma sociedade permite que aconteça, porque o eu verdadeiro é perigoso: perigoso para a igreja estabelecida, perigoso para o estado, perigoso para a multidão, perigoso para a tradição, porque quando um homem conhece o seu eu verdadeiro, ele torna-se um indivíduo. Ele não faz mais parte da psicologia das massas; ele não será supersticioso, e não poderá ser explorado e guiado como gado, ele não poderá ser ordenado e comandado.
Ele viverá de acordo com a sua luz; ele viverá da sua própria interioridade. A sua vida terá uma extraordinária beleza, integridade. Mas é este o medo da sociedade.
Pessoas integradas tornam-se indivíduos e a sociedade não quer que vocês sejam indivíduos. Em vez de individualidade, a sociedade ensina-lhe a ser uma personalidade.
A palavra "personalidade" tem que ser entendida. Vem da raiz persona - persona significa "máscara". A sociedade dá-lhe uma idéia falsa de quem você é; dá-lhe apenas um brinquedo, e você permanece agarrado ao brinquedo toda a sua vida.
No meu modo de ver, quase todos estão no lugar errado. A pessoa que teria sido um médico tremendamente feliz é um pintor, e a pessoa que teria sido um pintor tremendamente feliz é um médico. Ninguém parece estar no lugar certo; é por isso que toda esta sociedade está em tamanha confusão. A pessoa é dirigida por outros; não é dirigida pela sua própria intuição.
A meditação ajuda-o a desenvolver a sua própria faculdade intuitiva. Torna-se muito claro o que é que vai satisfazê-lo, o que é que vai ajudá-lo a florescer. E seja o que seja, vai ser diferente para cada indivíduo - isto é o que significa a palavra "indivíduo": cada um é único.
E buscar e tentar encontrar a sua singularidade é uma grande emoção, uma grande aventura.
Osho - do livro"Meditação -A primeira e última liberdade"

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Osho - O Processo da Mente

"A coisa mais difícil, quase impossível, para a mente, é permanecer no meio, é permanecer equilibrada. E o mais fácil é movimentar-se de um pensamento para o seu oposto. Movimentar-se de uma polaridade para a polaridade oposta é a natureza da mente. Isso tem que ser entendido muito profundamente, porque sem que você entenda isso, nada poderá levar você à meditação.
A natureza da mente é movimentar-se de um extremo a outro, ela depende do desequilíbrio. Se você estiver equilibrado, a mente desaparece. A mente é como uma doença: quando você está desequilibrado ela está ali, quando você está equilibrado ela não está ali.
É por isso que é fácil para uma pessoa que come muito fazer jejum. Isso parece sem lógica, porque nós pensamos que uma pessoa que é obcecada por comida não consegue jejuar. Mas você está errado. Somente uma pessoa que é obcecada por comida pode jejuar, porque jejuar é a mesma obsessão no sentido oposto. Na verdade não houve mudança em si. Você continua obcecado por comida. Antes você comia muito e agora você está faminto - mas o foco da mente continua na comida, a partir de um extremo oposto.
Um homem que se tenha entregue em demasia ao sexo, pode tornar-se um celibatário muito facilmente. Não há nenhum problema. Mas é difícil para a mente fazer uma dieta certa, é difícil para a mente estar no meio.
Porque é difícil estar no meio? Isso é exactamente igual ao pêndulo de um relógio. O pêndulo vai para a direita, e daí move-se para a esquerda, então de novo para a direita, e depois de novo para a esquerda. O relógio inteiro depende desse movimento. Se o pêndulo parar no meio, o relógio pára. E quando o pêndulo se move para a direita, você pensa que ele está somente indo para a direita. Mas, ao mesmo tempo que ele está indo para a direita, ele está juntando momento* para ir para a esquerda. Quanto mais ele se move para a direita, mais energia ele reúne para se mover para a esquerda, para o oposto. Quando ele está se movendo para a esquerda ele está de novo reunindo momento para se mover para a direita.
Sempre que você come demais, você está reunindo momento para fazer jejum. Sempre que você se entrega em demasia ao sexo, mais cedo ou mais tarde, o celibato, o brahmacharya se tornará atraente para si.
E o mesmo está acontecendo a partir do pólo oposto. Vá e pergunte aos chamados sadhus, aos bhikkhus, aos sannyasins. Eles firmaram um propósito de permanecer celibatários; e agora a mente deles está reunindo momento para se movimentar em direcção ao sexo. Eles firmaram um propósito de ficarem com fome, de passar fome e a mente deles está constantemente pensando em comida. Quando você está pensando muito a respeito de comida, isso mostra que você está reunindo momento para comer. Pensar significa momento. A mente começa fazer arranjos para ir ao oposto.
A primeira coisa: sempre que você se move, você também se está movendo para o oposto. O oposto está escondido, ele não é aparente.
Quando você ama uma pessoa, você está reunindo momento para odiá-la. É por isso que somente amigos podem se tornar inimigos. Você não pode se tornar um inimigo sem que primeiro você tenha se tornado um amigo. Amantes discutem e brigam. Só os amantes podem discutir e brigar, porque a não ser que você ame, como você poderá odiar?A não ser que você se tenha movido para a extrema esquerda, como você poderá mover-se para a direita?
Pesquisas modernas dizem que isso que se chama amor é um relaccionamento de íntima inimizade. A sua esposa é a sua inimiga íntima e o seu marido é o seu inimigo íntimo - ambos inimigos e íntimos. Parecem opostos, sem lógica, porque nós ficamos ponderando como alguém que é íntimo pode ser inimigo? Alguém que é amigo, como pode também ser o adversário?
A lógica é superficial. A vida vai mais fundo. Na vida, todos os opostos juntam-se, eles existem juntos. Lembre-se disso, porque então meditação torna-se equilíbrio.
Buda ensinou oito disciplinas e para cada disciplina ele usava a palavra certa. Ele dizia: o esforço certo, porque é muito fácil mover-se da acção para a inacção, do despertar para o dormir, mas permanecer no meio é difícil. Quando Buda usa a palavra certa, ele estava dizendo: não se mova para o oposto, simplesmente permaneça no meio. A comida certa - ele nunca disse jejum. Não se entregue em demasia à comida e não se entregue ao jejum. Ele dizia: comida certa. Comida certa significa permanecer no meio.
Quando você permanece no meio você não está reunindo momento algum. E essa é a beleza disso: um homem que não está reunindo momento algum para se mover a qualquer lugar, pode estar à vontade consigo mesmo, pode sentir-se em casa.
Você nunca pode sentir-se em casa, porque qualquer coisa que você faz, imediatamente você terá que fazer o oposto para equilibrar. E o oposto nunca equilibra, ele simplesmente dá-lhe a impressão de que você está se tornando equilibrado, mas você terá que se mover para o oposto de novo.
Um buda não é amigo nem inimigo de alguém. Ele simplesmente parou no meio - o relógio não está funcionando... Quando a sua mente pára, o tempo pára, quando o pêndulo pára, o relógio pára...
O tempo é criado pelo movimento da mente, exactamente como o movimento do pêndulo. A mente move-se, você sente o tempo. Quando a mente não se está movimentando, como você pode sentir o tempo? Quando não há qualquer movimento, o tempo não pode ser sentido.
Cientistas e místicos concordam nesse ponto: que o movimento cria o fenómeno do tempo. Se você não está se movendo, se você está parado, o tempo desaparece, a eternidade chega à existência.
O seu relógio está movendo-se rapidamente e o seu mecanismo é movimento de um extremo ao outro.
A segunda coisa a ser entendida a respeito da mente é que a mente sempre quer o que está distante, nunca o que está perto. O que está perto é enfadonho, você fica farto dele. O distante lhe dá sonhos, esperanças, possibilidades de prazer. Assim, a mente sempre está pensando no distante.
É sempre a mulher de alguma outra pessoa que é atraente e bonita; é sempre a casa de alguma outra pessoa que o obceca; é sempre o carro de alguma outra pessoa que fascina. É sempre o que está distante. Você fica cego para o que está perto. A mente não consegue ver aquilo que está muito perto. Ela somente pode ver aquilo que está muito longe.
E o que está muito longe, o que está mais distante? O que está mais distante é o oposto. Você ama uma pessoa - agora o fenómeno mais distante é o ódio. Você está comendo demais - agora o fenómeno mais distante é o jejum. Você está celibatário - agora o fenómeno mais distante é o sexo. Você é um rei - agora o fenómeno mais distante é ser um monge.
O que está mais distante é aquilo com que sonhamos mais. Ele atrai, ele obceca, ele segue chamando, convidando-o (a) e então, quando você tiver alcançado o outro pólo, este local de onde você partiu em caminhada tornar-se-á belo novamente. Divorcie-se da sua esposa e após uns poucos anos ela irá despertar interesse novamente.
Para a mente, o oposto é magnético e a não ser que, através da compreensão, você transcenda isso, a mente continuará movendo-se da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e o relógio continua. Ele tem continuado por muitas vidas e é assim que você tem sido enganado - porque você não compreende o mecanismo. De novo o distante torna-se atraente e de novo você começa uma nova caminhada.
E no momento em que você alcança o seu objectivo, aquilo que antes era seu conhecido e que agora está distante, de novo se torna atraente, agora se torna uma estrela, alguma coisa valiosa.
Eu estive lendo a respeito de um piloto que estava voando sobre a Califórnia com um amigo. Ele lhe disse: "Veja lá embaixo aquele belo lago. Eu nasci perto dele, ali está a minha vila".
Ele apontou para uma pequena vila numa colina próxima ao lago. E ele disse: "Eu nasci ali e quando eu era criança eu costumava sentar próximo ao lago para pescar. Pescar era o meu hobby. Mas naquela época, quando eu era criança e pescava no lago, os aviões sempre costumavam cortar o céu, passando sobre a minha cabeça, e eu sonhava com o dia em que eu próprio me tornaria um piloto e estaria pilotando um avião. Aquele era o meu único sonho. Agora ele está realizado e que miséria! Agora eu continuamente olho para aquele lago lá em baixo e fico pensando no dia em que eu estiver aposentado para poder ir pescar nele de novo. Aquele lago é tão lindo..."
É assim que as coisas acontecem. É assim que as coisas têm acontecido consigo. Na infância você queria crescer depressa porque as pessoas mais velhas eram mais poderosas. Uma criança quer crescer imediatamente. As pessoas mais velhas são sábias e a criança sente que qualquer coisa que ela faça está sempre errado. Pergunte então a uma pessoa mais velha. Ela sempre acha que quando a infância se foi, tudo foi perdido, o paraíso estava ali, na infância. E todos os velhos morrem pensando na infância, na inocência, na beleza, no mundo de sonhos.
Qualquer coisa que você tenha, parece sem utilidade; qualquer coisa que você não tenha parece de grande utilidade. Lembre-se disso porque senão a meditação não poderá acontecer, porque meditação significa essa compreensão da mente, do trabalho da mente, do verdadeiro processo da mente.
A mente é dialética, ela faz com que você se mova repetidas vezes em direcção aos opostos. E isso é um processo infinito, ele nunca se acaba, a não ser que você, de repente, o abandone, a não ser que, de repente, você se torne consciente do jogo, a não ser que, de repente, você se torne alerta a respeito da trapaça da mente, e você pare no meio.
Parar no meio é meditação.
A terceira coisa:
Porque é que a mente consiste em polaridades, você nunca é um todo. A mente não pode ser um todo, ela é sempre metade. Quando você ama alguém, você já observou que você está suprimindo o seu ódio? O amor não é total, ele não é um todo, exactamente atrás dele todas as forças escuras estão escondidas e elas podem entrar em erupção a qualquer momento. Você está sentado em cima de um vulcão.
Quando você ama alguém, você simplesmente se esquece de que você tem raiva, de que você tem ódio, de que você é ciumento. Você simplesmente deixa tudo isso de lado, como se isso nunca tivesse existido. Mas como você pode deixar tudo isso de lado? Você pode simplesmente esconder no inconsciente. Assim, na superfície você pode tornar-se amoroso, mas lá no fundo o tumulto está escondido. Mais cedo ou mais tarde você vai ficar farto, o amado terá se tornado familiar.
Dizem que a familiaridade cria desprezo, mas não é que a familiaridade cria desprezo - a familiaridade faz você ficar farto. O desprezo esteve sempre ali, escondido. Ele vem à tona, ele só estava esperando o momento certo, a semente estava ali.
A mente tem sempre o oposto dentro dela e esse oposto vai para o inconsciente e fica ali esperando pelo seu momento para vir à tona. Se você observar minuciosamente, você sentirá isso a todo momento. Quando você diz para alguém "eu amo-te" feche os seus olhos, seja meditativo, e sinta - existe algum ódio escondido? Você irá senti-lo. Mas você não quer encarar isso porque a verdade é muito feia - a verdade que você sente ódio pela pessoa que você ama - por isso você engana a si mesmo.
Você quer escapar da realidade, assim você esconde. Mas, esconder não vai ajudar, porque assim você não está enganando à outra pessoa, você está enganando a si mesmo.
Assim, sempre que você sentir alguma coisa, feche os olhos e vá para dentro de si mesmo para encontrar o oposto em algum lugar. Ele está ali. E se você puder ver o oposto, isso dará um equilíbrio. Então você não irá dizer "eu amo-te". Se você for uma pessoa verdadeira você irá dizer: "o meu relacionamento contigo é de amor e ódio".
Todos os relacionamentos são relacionamentos de amor/ódio. Nenhum relacionamento é puro amor e nenhum relacionamento é puro ódio. São ambos: amor e ódio. Se você for verdadeiro você estará em dificuldades. Se você disser para uma mulher : "o meu relacionamento contigo é ambos: amor e ódio. Eu amo-te como nunca amei alguém e eu odeio-te como nunca eu odiei alguém", será difícil para você casar-se, a não ser que você encontre uma mulher meditativa, que possa compreender a realidade, a não ser que você possa encontrar uma amiga que possa compreender a complexidade da mente.
A mente não é um mecanismo simples. Ela é muito complexa e através da mente você nunca pode tornar-se simples, porque a mente segue criando enganos. Ser meditativo significa estar alerta para o facto de que a mente está escondendo alguma coisa de si, de que você está fechando os olhos para alguns factos que estão perturbando.
Mais cedo ou mais tarde aqueles factos perturbadores virão à tona, vão apoderar-se de si, e você irá em direcção ao oposto. E o oposto não está longe, num lugar distante, em alguma estrela. O oposto está escondido atrás de si, dentro de si, na sua mente, no próprio funcionamento da mente. Se você puder compreender isso, você irá parar no meio.
Se você puder ver o " eu amo " e o " eu odeio", de repente, ambos irão desaparecer, porque ambos não podem existir juntos na consciência. Você tem que criar uma barreira: um terá que existir no inconsciente e o outro no consciente. Ambos não podem existir na consciência, eles irão negar um ao outro. O amor destruirá o ódio, o ódio destruirá o amor, eles terão que equilibrar um ao outro e eles simplesmente irão desaparecer. A mesma quantidade de ódio e a mesma quantidade de amor irão negar um ao outro. De repente eles irão evaporar - você estará ali, mas nenhum amor e nenhum ódio. Então você estará equilibrado.
Quando você está equilibrado, a mente não está lá - então você é um todo. Quando você é um todo, você é sagrado, mas a mente não está lá. Assim, meditação é um estado de não-mente. Através da mente esse estado não é alcançado. Através da mente, qualquer coisa que você fizer, ele nunca será alcançado. Então, o que você está fazendo quando você está meditando?
Pelo facto de você ter criado tanta tensão na sua vida, você agora está meditando. Mas isso é o oposto da tensão, não a verdadeira meditação. Você está tão tenso que a meditação se tornou atraente. É por isso que no Ocidente a meditação atrai mais do que no Oriente. É porque no Ocidente existe mais tensão do que no Oriente. O Oriente ainda está relaxado, as pessoas não estão tão tensas, elas não estão se enlouquecendo tão facilmente, elas não cometem suicídio tão facilmente.
Elas não são tão violentas, tão agressivas, tão apavoradas, tão amedrontadas - não, elas não estão tão tensas. Elas não estão vivendo essa correria louca onde nada além de tensão é acumulado.
Assim, se o Mahesh Yogi vier à Índia, ninguém o escutará. Mas na América, as pessoas ficam loucas com ele. Quando existe muita tensão, a meditação atrai.
Mas essa atracção é de novo a mesma armadilha. Isso não é verdadeira meditação, isso é de novo um engano. Você medita por uns poucos dias, você se torna relaxado e, quando você se torna relaxado, de novo surge a necessidade de atividades. Você fica farto e a mente começa a pensar em fazer alguma coisa, em movimentar-se .
As pessoas chegam até mim e dizem: "nós meditamos por alguns anos mas agora perdeu a graça". Há poucos dias uma mulher veio até mim e disse: "agora a meditação não tem mais graça alguma, o que eu devo fazer?"
Agora a mente está procurando por alguma outra coisa, agora ela já teve bastante meditação. Agora que ela já está relaxada, a mente está pedindo por mais tensões - alguma coisa que possa perturbá-la. Quando ela diz que agora a meditação não tem mais graça, ela quer dizer que agora não há mais tensão, assim como pode a meditação ter graça? Ela terá que ir atrás de tensões novamente, aí a meditação de novo se tornará algo valioso.
Veja o absurdo da mente: você tem que ir embora para chegar perto, você tem que se tornar tenso para ser meditativo. Mas isso não é meditação, de novo isso é uma armadilha da mesma mente. Numa nova dimensão, o mesmo jogo continua.
Quando eu digo meditação, eu quero dizer: ir além das polaridades opostas, deixar de lado todo o jogo, olhar para o absurdo disso e transcendê-lo. A própria compreensão se torna transcendência.
A mente forçá-lo-à a mover-se para o oposto - não se mova para o oposto. Pare no meio e veja que isso tem sido sempre uma armadilha da mente. É assim que a mente o tem dominado - através do oposto. Você já percebeu isso?
Depois de fazer amor com uma mulher, você de repente começa a pensar em abstinência sexual, brahmacharya e isso exerce uma fascinação tão persuasiva que naquele momento você sente como se nada mais existisse para ser alcançado. Você sente-se frustrado, enganado, você sente que não havia nada naquele sexo e que somente bramacharya contém a felicidade. Mas depois de vinte e quatro horas, o sexo de novo se torna importante, e de novo você se move para ele.
O que a mente está fazendo? Depois do acto sexual ela começa a pensar no oposto, o qual, de novo, cria a vontade do sexo.
Um homem violento começa a pensar na não-violência, então ele poderá facilmente tornar-se violento de novo. Um homem que fica raivoso repetidamente, sempre pensa em não ter raiva, sempre decide não ficar raivoso novamente. Essa decisão ajuda-o a ficar com raiva de novo.
Se você realmente não quiser ficar raivoso de novo, não tome decisão contra a raiva. Simplesmente olhe para a raiva e olhe para essa sombra da raiva que você pensa que é não ter raiva. Olhe para o sexo e para essa sombra do sexo que você pensa que é brahmacharya, abstinência sexual. Isso é só negatividade, ausência. Olhe para o excesso do comer e para a sua sombra que é o jejum. Jejuns sempre seguem o comer demais, a indulgência demasiada é sempre seguida por votos de celibato; a tensão é sempre seguida por algumas técnicas de meditação. Olhe para essas coisas juntas, sinta como elas estão relaccionadas, como elas são parte de um só processo.
Se você puder compreender isso, a meditação acontecerá em si. Na verdade, ela não é algo a ser feito, ela é uma questão de compreensão. Ela não é um esforço, ela não é algo a ser cultivado. Ela é algo a ser profundamente compreendido.
Compreensão dá liberdade. Conhecer todo o mecanismo da mente é transformação. Então, de repente, o relógio pára, o tempo desaparece. E parando o relógio, não existe mente. Parando o tempo, onde você está? O barco está vazio.
O homem do Tao age sem impedimentos.... Você age sempre com impedimentos, o oposto está sempre ali criando o impedimento, você não é um fluxo.
Se você ama, o ódio está sempre ali como um impedimento. Se você se movimenta, alguma coisa está puxando você para trás, você nunca se move totalmente, alguma coisa sempre fica para trás, o movimento não é total. Você move-se com uma perna, mas a outra perna não se move. Como você pode mover-se ? O impedimento está ali.
A sua angústia, a sua ansiedade é esse impedimento, é essa contínua movimentação de uma metade e não movimentação da outra metade. Por que você está tão angustiado? O que cria tanta angústia em si? Qualquer coisa que você faz, porque você não fica feliz fazendo aquilo? A felicidade somente pode acontecer para o todo, nunca para a parte.
Quando o todo se movimenta sem qualquer impedimento, o próprio movimento é felicidade. Felicidade não é alguma coisa que vem de fora - ela é uma sensação que vem quando o seu Ser como um todo se movimenta, o próprio movimento do todo é felicidade. Não é alguma coisa acontecendo para si, ela surge a partir de si, ela é uma harmonia no seu Ser.
Se você está dividido - e você está sempre dividido: metade se movendo, metade segurando; metade dizendo sim, metade dizendo não; metade amando, metade odiando. Você é um reino dividido, existe um conflito constante dentro de si. Você diz alguma coisa mas aquilo nunca é o que você quer dizer, porque o oposto está ali impedindo, criando uma barreira.
A mente entra quando você está dividido. A mente alimenta-se com a divisão. É por isso que Krishnamurti segue dizendo que quando o observador se torna o observado, você está em meditação.
Sempre que a mente entra, ela entra como uma força controladora, um administrador. Ela não é o mestre, ela é o administrador. E você não chega até o mestre se o administrador não for colocado de lado. O administrador não permite que você alcance o mestre, o administrador sempre se mantém de pé diante da porta, controlando. E todos os administradores administram mal - a mente tem feito um grande trabalho de má administração.
Lao Tzu disse: quando não havia nem um simples filósofo, tudo se resolvia, não haviam perguntas e todas as respostas estavam disponíveis. Quando os filósofos surgiram, as perguntas vieram e as respostas desapareceram. Sempre que há uma pergunta, a resposta está muito longe. Sempre que você pergunta, você nunca obtém a resposta, mas quando você pára de perguntar, você descobrirá que a resposta sempre esteve ali.
O que é felicidade? Felicidade é a sensação que surge em si quando o observador se torna o observado. Felicidade é a sensação que surge em si quando você está em harmonia, não fragmentado, uma unidade, não desintegrado, não dividido. Essa sensação não é algo que vem de fora. Ela é a melodia que cresce em si a partir da sua harmonia interior.
O sol está nascendo... de repente você olha e o observador não está ali. O sol não está ali e você não está ali. Não há nenhum observador e nenhum observado. Simplesmente o sol está nascendo e a sua mente não está ali para controlar. Você não vê e diz: "o sol está lindo". No momento que você disser, a felicidade foi perdida. Então já não existe nenhuma felicidade, ela já se tornou passado, ela já se foi.
De repente você vê o sol nascendo e aquele que vê não está ali, aquele que vê ainda não entrou, ainda não se tornou um pensamento. Você ainda não olhou, não analisou, ainda não observou. O sol está nascendo e ali não existe ninguém, o barco está vazio, existe felicidade, um vislumbre. Mas a mente imediatamente entra e diz "o sol está lindo, esse nascer do sol está lindo". A comparação entrou e a beleza foi perdida.
Aqueles que sabem, dizem que sempre que você diz: "eu amo-te" para uma pessoa, o amor foi perdido. O amor foi-se porque o amante entrou. Como pode existir amor quando a divisão, o controlador entra? É a mente que diz: "eu amo-te", porque, na verdade, no amor não existe nenhum eu e nenhum tu. No amor não existem indivíduos. O amor é uma fusão, uma dissolução, eles não são dois.
O amor existe, não os amantes. No amor, o amor existe, não os amantes, mas a mente entra e diz: "eu estou amando, eu amo-te". Quando o "eu" entra, a dúvida entra, a divisão entra e o amor não está mais ali.
Muitas vezes em meditação você tem alguns vislumbres. Lembre-se: sempre que você sentir tais vislumbres, não diga: "quão belo é", não diga "quão amoroso é", porque é assim que você perde o vislumbre. Sempre que o vislumbre vier, deixe que ele esteja ali...Quando em meditação você tiver um vislumbre de algum êxtase, deixe que ele aconteça, deixe-o ir fundo. Não divida a si mesmo. Não faça qualquer declaração, senão o contacto será perdido. "
OSHO - do livro "The Empty Boat"

quarta-feira, 24 de junho de 2009

"Visão Direta" - Zen-Budismo

O zen-budismo se baseia na iluminação do Buda. Os ensinamentos do Buda, tal como foram passados para o textos budistas, não recebem tanta prioridade. Isso reflete a profunda desconfiança do zen quanto a palavra de sua capacidade de transmitir o conhecimento. Não obstante, aquilo que não pode ser transmitido pela palavra pode ser transmitida pela “visão direta”. Diz-se que o Buda trouxe a iluminação para seu discípulo mais promissor simplesmente segurando uma flor diante dele, sem nada dizer. Assim , a iluminação vem sendo comunicada de geração em geração pela transmissão não verbal.
Ensina o zen- que a iluminação deve vir de dentro, deve ter sua origem no coração do individuo. Conta-se que um famoso mestre zen jogou todas as imagens do Buda na lareira a fim de aquecer a sala em que seus discípulo se encontravam.
Os ensinamentos de Buda só podem nos levar ate uma parte do caminho. (Assim como todos os ensinamentos, ha uma diferença em ver o cenário e estar no cenário) Podem ensinar o rumo certo, mas o importante é vislumbrar aquilo para onde apontam, a iluminação , a iluminação em si. Nos, seres humanos, muitas vezes nos comportamos como crianças; estamos mais interessados no dedo que aponta do que naquilo que ele mostra. É fácil manifestar mais preocupações com as idéias ou os rituais. Aqui o método de “apontar diretamente” pode ajudar obter uma compreensão espontânea da realidade, uma percepção sem restrições, que não precisa de palavras.
Uma vez que a iluminação deve vir de dentro, o zen-budismo não tem nenhuma formula fixa para alcançá-la. Mas ela pode chegar quando menos se espera e atingir a pessoa como um raio. ‘como uma piada que de repente se compreende. De súbito, a pessoas “desperta” – e fica consciente de que faz parte do infinito, de uma maneira inteiramente nova. Isso não ve gradualmente, com o tempo. Quando ela chega de fato, é total. Sua manifestação não está ligado nem mesmo com a meditação. Uma experiência mundana qualquer também pode acabar levando, com igual facilidade, ao objetivo desejado.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Karma

Nunca entendemos isto, e é assim como a humanidade não poderá escapar a esta cadeia de consequências, já que quase nunca sabemos o porquê dos nossos sofrimentos. Quando uma pessoa semeia desgraças, provocando dano aos demais, na realidade isso mesmo virá a recolher. Essa é a lei do Karma.
A lei do Karma é aquela lei que ajusta, sábia e inteligentemente, o efeito a sua causa. Todo o bem ou mal que tenhamos feito numa vida virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou próximas existências.
Não devemos esquecer os provérbios Cristãos: “o que semeia raios colhe tempestades”; “com a vara com que medes serás medido”; “olho por olho, dente por dente”; “ o que a espada mata, a espada morre”
A lei do Karma governa todo o criado, e é uma lei imodificável. Ela é conhecida nas religiões como “justiça celestial”. Quem transgride uma lei cria dor para si mesmo.
A lei do Karma nos controla e vigia a cada instante e por isso qualquer acto bom ou mau nas nossas vidas têm consequências. Todo o mal que façamos há que pagá-lo e todo o bem que façamos ser-nos-á recompensado. Deus nos deu livre arbítrio e podemos fazer o que queremos, mas temos que render contas de todos os nossos actos diante da justiça divina.
Quando um homem vem a este mundo traz o seu próprio destino e por isso uns nascem num colchão de penas e outros na desgraça. Se numa existência ferimos, agora nos ferem; se matamos, agora nos matam; se roubamos, agora nos roubam e assim, “com a vara com que medimos agora nos medem e com vantagem.”
Compreender integralmente a lei do Karma é indispensável para orientar o navio da nossa existência de uma forma positiva e edificante.
O Karma é uma lei de compensação e não de vingança. O Karma é um remédio que nos é aplicado para o nosso próprio bem; desgraçadamente, as pessoas em vez de inclinar-se reverentemente diante do Eterno Deus Vivente, protestam e/ou blasfemam, justificam-se a elas próprias, desculpam-se e lavam as mãos como Pilatos(Bíblia Cristã).
Quando protestamos, o KARMA não é modificado, em vez torna-se mais duro e mais severo. Reclamamos fidelidade ao conjugue quando fomos adúlteros nesta vida ou em vidas passadas. Pedimos Amor quando temos sido bárbaros ou cruéis; solicitamos compreensão quando nunca temos dado compreensão a ninguém. Queremos muitas bem-aventuranças quando temos sido a origem de muitas desgraças. Teríamos preferido nascer num lugar belíssimo e com muitas comodidades, quando em vidas passadas não soubemos oferecer um lar. Queremos que os nossos filhos nos obedeçam, quando jamais soubemos obedecer aos nossos pais. Incomodam-nos terrivelmente que sejamos caluniados, quando sempre fomos caluniadores e temos enchido o mundo de dor. Quer dizer, reclamamos aquilo que não soubemos dar...
É possível que em vidas passadas tenhamos sido maus e cruéis, por isso merecemos o pior, mas supomos que nos deveriam dar o melhor.
Quando a Lei Cósmica vai cobrar um Karma a uma pessoa, primeiro ela é submetida a um juízo interno. Se tem Dharma, quer dizer, se fez boas obras, não sofre nenhum padecimento, mas se não tem capital cósmico, paga com dor.
Geralmente, quando a Lei nos cobra, pensamos que somos inocentes, que não devemos nada. Há ainda alguém que blasfema contra a justiça classificando-a de “injusta”. Mas sempre devemos lembrar-nos que a Lei a ninguém dá o que não merece. A cada um lhe dá segundo as suas obras. Agora o leitor compreenderá porquê as prisões estão cheias de “inocentes”, pessoas que nesta vida não fizeram nada de mau, mas que em vidas anteriores praticaram delitos gravíssimos. Repetimos: A Lei de Deus não dá a ninguém o que não merece; a cada quem segundo as suas obras...
Há alguns que nascem em berços de ouro com todas as comodidades para preparar-se intelectualmente, e levam estilos de vida para muitos invejáveis; outros não tem a mesma sorte, mas também não sofrem na parte económica. No entanto, existem outros que sofrem espantosamente e devem mendigar para subsistir.Há milionários que sofrem doenças incuráveis e não podem comer o que lhes apetece, por uma úlcera ou um outro mal-estar. Há muitos pobres que gozam de uma saúde formidável.A Lei cobra a cada quem segundo as suas faltas.
Caso tenhamos más acções ou Karmas, significa que esgotamos o nosso capital cósmico. Se consignamos, ou seja, se fazemos boas obras aos nossos semelhantes, ganhamos Dharma, e saímos bem nos nossos negócios perante o Tribunal Cósmico. O resultado é felicidade, saúde e êxito nas nossas vidas.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Parar o Ego

O Ego é a segunda natureza existente na nossa psicologia. É a nossa parte mais grotesca, nossa parte animal, que infelizmente se constitui em 97% da nossa psicologia. A essência se constitui apenas em 3%, porém está adormecida, inconsciente... Então a conclusão disto tudo é que passamos a vida toda adormecidos, achando que vivemos em plena consciência.
Vivemos a vida do ego, com suas preocupações, preconceitos, ranços, invejas, maledicências, orgulhos, luxúria, vaidades, materialismos, enfim os nossos pecados capitais; ou vivemos de lembranças do passado ou de planos para o futuro, e esquecemos de viver o momento presente, o agora, o exato instante.Mas por que isso acontece?
O Ego se manifesta através dos nossos pensamentos. Vocês já se perguntaram porque a mente é tão ativa, quantos milhares de pensamentos nos atordoam a todo instante?Por que mudamos tantas vezes de opinião de um determinado assunto?Por que quanto mais pensamos em um problema, mais nos enrolamos nele? E quando deixamos de pensar e ouvimos a nossa intuição os problemas se resolvem como num passe de mágica?
Cada pensamento destes vem de uma criatura pensante que nós mesmos criamos. O Ego se utiliza da nossa mente para agir, e é exatamente aí que alimentamos nossos defeitos quando damos ouvidos à eles.
Se formos atrás de cada um de nossos pensamentos erramos fatalmente, pois não temos apenas uma mente, um ponto de apoio, e sim milhões delas, somos multi pontos, cada qual querendo nos conduzir para um lado diferente. Então em quem confiar? Precisamente em nenhum deles, pois todos nossos pensamentos nos conduzem ao erro.
O Pai, nosso Real Ser não pensa e não se comunica conosco através dos pensamentos. ELE se comunica através da INTUIÇÃO. É urgente sabermos “ouvir” A VOZ DO CORAÇÃO.E isso só é possível quando atingimos o SILÊNCIO MENTAL. É impossível se comunicar com o Pai, ouvir-Lhe em meio ao emaranhado dos nossos pensamentos.Aí que entram as práticas da morte do ego, que consiste exatamente em eliminar os nossos pensamentos, tirar o alimento do ego, tirar de cena os pensamentos para que a mente silencie e possamos nos guiar através da nossa intuição, que é nossa comunicação direta com o Pai.
Este trabalho da Morte do Ego é exatamente o que dizia Jesus Cristo com o “ Negue a si mesmo”, negar essa segunda natureza existente em nós mesmos. O nosso principal inimigo é interno, os nossos próprios defeitos, os nossos próprios pensamentos.
A PRÁTICA DA MORTE DO EGO.
Em primeiro lugar, vamos começar a usar um dos nossos sentidos que está atrofiado devido a mecanicidade trazida pelos nossos pensamentos, que é a CONCENTRAÇÃO.Façamos assim: quando nos propomos a executar uma tarefa, procuremos nos concentrar ao máximo sempre buscando o SILÊNCIO MENTAL. Devemos usar um ponto de apoio para a concentração, que pode ser as batidas do coração, o som sssss da glândula pineal ou até mesmo a respiração. Qualquer pensamento que nos vier tirar a concentração, é um pensamento involuntário, está em lugar e hora errada, então é defeito, e deve ser eliminado, seja ele pensamento bom ou ruim, é defeito. Então no exato instante que o pensamento intervir, suplica-se deste modo: “ MÃE DIVINA, DESTRUA ESTE DEFEITO, DESINTEGRE-O!” A Mãe Divina ou Nossa Senhora é uma de nossas partículas Divinas, responsável por essa limpeza, pela eliminação dos nossos defeitos, e Ela com sua Espada nos limpará de todos esses defeitos, que se constituem de nossos pecados capitais e todas suas ramificações.

sábado, 11 de abril de 2009

Da Árvore

Um mestre budista viajava a pé com seus discípulos, quando reparou que discutiam entre si quem era o maior entre eles.
“Pratico meditação há 15 anos”, dizia um.
“Faço caridade desde que saí da casa de meus pais”, dizia outro.
“Sempre segui os ensinamentos de Buda”, dizia um terceiro.
Ao meio-dia, pararam debaixo de uma macieira para descansar. Os galhos estavam carregados, e vergavam até o chão com o peso das frutas.
Então o mestre falou: “quando uma árvore está carregada de frutos, seus ramos se abaixam e tocam o chão. Desta maneira, o verdadeiro sábio é aquele que é humilde”.
“Quando uma árvore não tem frutos, seus ramos são arrogantes e altivos. Desta maneira, o tolo sempre se crê maior que seu próximo”.

terça-feira, 17 de março de 2009

Despertar do Sono

Se você cometer um assassinato em seu sonho – se for um sonâmbulo e em seu sono cometer um assassinato –, nenhuma corte o condenará como responsável, porque você não pode se responsabilizar por seus sonhos. Como pode alguém que esta em sono profundo ser responsável? Você nunca se sente responsável por seus sonho: pode fazer o que seja neles, mas nunca sente qualquer responsabilidade. Pode até assassinar, mas dirá que foi apenas um sonho. A responsabilidade vem com o acordar.
Esta é uma lei fundamental da vida: quem está acordado é responsável até pelos outros. Uma pessoa iluminada, acordada, sente-se responsável por toda a desordem criada por você. Um Buda sente compaixão; sente-se culpado por seus crimes, por seus pecados. Sente-se envolvido; sente-se responsável. Ele sabe que você não sabe o que está fazendo; ele esta completamente consciente disso.
Por exemplo uma terceira guerra mundial esta para acontecer. Aqueles que estão acordados sabem muitíssimo bem que ela esta chegando. A cada dia que passa, ela chega mais perto; logo estará aqui. Você esta num sono profundo, mas o iluminado não esta dormindo, não esta sonhando. Esta totalmente consciente, como um radar. Sabe qual o futuro que esta chegando. Sente-se culpado; sente que deve fazer algo. É como quando você está num avião, voando pelo céu. Está dormindo sonhando, mas o piloto esta acordado. Se algo estiver para acontecer , só ele será responsável; ninguém mais será responsável. Ele esta totalmente acordado e é o único que esta acordado.
Do livro”Eu sou a Porta” Bragwan Shree

sexta-feira, 6 de março de 2009

A Flor de Buda

Buda chegou um dia com uma flor em suas mãos. Estava indo proferir uma palestra. Mas nenhum discurso foi feito – ele apenas se sentou silenciosamente, olhando para a flor. Todos se espantaram com o que ele estava fazendo. Então, começaram a ficar agitados. Isso continuou por dez, vinte, trinta minutos. Então todos ficaram mais preocupados ainda. Ninguém era capaz de dizer o que ele estava fazendo. Pelo menos dez mil pessoas haviam se reunido para ouvi-lo falar, e ele estava sentado, olhando para a flor. Nesse incidente, o nome de Mahakashap é mencionado.

Alguém riu. Buda levantou os olhos e disse “Mahakashyap, venha aqui”. A pessoa que havia rido era Mahakashyap. Buda lhe ofereceu a flor e disse: “Tudo o que pode ser dito eu já disse a todos; e tudo que não pode ser dito dou a Mahakashyap”

O essencial é aquilo que não pode ser dito. Apenas o não-essencial, o superficial pode ser dito; apenas o utilitário pode ser dito. A mais significativa transferência de conhecimento é possível apenas no silêncio.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pergunta à Deus

O mestre pergunta ao discípulo:
Mestre: “Se você tivesse um encontro com Deus e pudesse fazer uma pergunta a ele, o que você perguntaria?”
Discípulo: “São muitas perguntas, tenho de pensar...”
Mestre: “Há somente uma única pergunta que te pouparia de todas as outras – o mestre diz então – “Quem somos? ”Quando você conhece a ti mesmo, conhece o universo, pois somos parte de uma única vida, somos parte de um único amor.
Isso explica a "Causa e Efeito". Quando o homem prejudica a vida, na verdade ele esta se auto-prejudicando, pois colhemos aquilo que semeamos. Amanha quando tudo for destruido, não teremos nada, pois quando a vida morre, nós também morremos. Essa inconciência do ser humano os leva ao sofrimento medido do próprio taco.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Do Menino Buda

"É difícil conhecer o mundo como ele é verdadeiramente, pois embora pareça real ele não o é, e embora pareça falso, ele não o é."
Buda, vendo que o palácio do prazer era realmente uma casa em chamas, abandonou-o e buscou refúgio e paz na floresta tranqüila.
Ali, na solidão e silêncio, adquiriu um grande coração de com paixão e concluiu: “este mundo de inconstância e de sofrimento é o meu mundo: estes néscios e descuidados homens são meus filhos; somente eu posso salva-los de sua ilusão e miséria.”
A causa do sofrimento humano encontra-se, sem dúvida, nos desejos do corpo físico e nas ilusões das paixões mundanas.
Por causa da ignorância e das falsas interpretações, os homens criam discriminação, onde, na realidade, não hás há. Inerentemente, não existe discriminação entre o certo e errado no comportamento humano: mas os homens, por causa da sua ignorância, imaginam tais distinções, julgando-as como certas ou erradas. Conseqüentemente, eles se entranham cada vez mais no mar de delusões.
Deste modo, o mundo da vida e da morte é criado pela mente, a ela se sujeita e é por ela regido: a mente é o senhor de toda a situação. O mundo do sofrimento é assim causado por uma mente mal orientada.
Tudo é portanto, criado controlado e regido pela mente. Assim como o carro segue o boi que o puxa, o sofrimento, segue a mente que cerca de maus pensamentos e de paixões mundanas.
No firmamento não há a distinção entre o leste e o oeste; os homens criaram, em suas mentes esta distinção e a julgam como verdadeira.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mente Sobre o Corpo

“Mesmo que seus inimigos lhes cortem a cabeça suas mentes devem permanecer inabaláveis”
“Para colimação da iluminação tentarei suportar o insuportável, tentarei realizar o impossível. Darei tudo que tenho para isso.”
“Hoje, ó bom-aventurado, sofri apenas o que me era devido. Não desejo morrer, nem desejo viver. Apenas espero a minha hora chegar.”
Quando os mestres de outras religiões viram que a água pura dos ensinamentos de Buda se espalhava e era ansiosamente bebida pelos homens, ficaram enciumados e lhe opuseram vários obstáculos em suas pregações.
Mas nenhum desses obstáculos pode parar ou evitar que seu ensinamento se disseminasse amplamente.
Os seguidores de outras religiões tentaram matar um dos discípulos budista. Por duas vezes escapou do ataque, mas na terceira vez, não pode fugir ao cerco de muitos idólatras e sucumbiu ante os seus golpes.
Amparado pela Iluminação, calmamente recebia os golpes e morreu tranquilamente, embora sua carne fosse dilacerada e seus ossos esmagados.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dalai Lama - Os Homens

Perguntaram ao Dalai Lama...
"O que mais te surpreende na humanidade?"
E ele respondeu:
"Os Homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se de tal forma do presente que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer. Morrem como se nunca tivessem vivido."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Arte do Roubo

O mestre do roubo era tão eficiente que nunca foi preso. Sempre que ele ia roubar uma casa, deixava alguma coisa para indicar que o mestre do roubo havia estado lá. Sua arte tornou-se tão famosa que se ele roubasse uma casa e não a vizinha, os moradores da outra sentiam ciúmes – porque o mestre do roubo só ia à casa de pessoas merecedoras de sua pericia. Até o imperador do país queria encontrá-lo.
Tudo que o ladrão ia fazer era declarado antes da hora. Quando ia roubar alguém, primeiro criava rumores a respeito. De algum modo, a pessoa era notificada de que o mestre do roubo estava para chegar. “Previna-se como quiser. Em tal dia, e em tal hora, haverá um roubo”. Mas o ladrão nunca foi apanhado.
Quando ele envelheceu, seu filho lhe disse: “Agora você esta velho e eu não sei nem á-bê-cê de sua arte. Daixe-me prativar”.
O pai disse: “Isso é difícil. Não é uma ciência ; não é uma questão de técnica , de habilidade. Não posso ensiná-lo, a menos que você seja um ladrão inato. Só assim é possível. Meu trabalho é artístico; é uma arte criativa. Eu a tenho vivido. Ela não tem sido um pecado para mim; tem sido meu espírito. Assim depois veremos”.
Uma noite, ele pediu a seu filho que o acompanhasse. Eles foram a um palácio. O mestre pulou o muro. Tinha entre sessenta e cinco e setenta anos, mas não havia nenhum tremor em suas mãos. O filho era jovem e forte, mas estava transpirando mesmo naquela noite fria. Estava tremendo. Seu pai lhe disse: “Por que você esta tremendo? Seja apenas uma testemunha. Por que esta tremendo?” Mas quanto mais ele tentava não tremer, mais tremia. O pai começou a trabalhar como se estivesse em sua própria casa.
Eles foram para dentro. O pai abriu a porta de um gabinete e pediu ao seu filho para entrar. Quando ele entrou, o pai fechou a porta atrás de si. Depois, fez tanto barulho que a casa toda acordou. O mestre fugiu, deixando o filho fechado dentro do gabinete. Toda a família e todos os empregados começaram a procurar pelo ladrão. Você não pode imaginar o que estava acontecendo dentro do rapaz!
O pai foi para casa. A noite estava fria. Ele foi para cama e relaxou. Duas horas depois, o filho entrou correndo. Puxou o cobertor de seu pai e disse: “Você quase me matou! È esse o seu jeito de me treinar?”
O pai olhou para ele e disse: “Oh, você voltou? Ótimo! Conte-me o que aconteceu, mas não a historia toda. Isso não importa. Não entre em detalhes. Você voltou? Ótimo. A arte foi transferida”.
O filho estava ansioso para contar, mas mesmo assim disse: “Deixe-me contar primeiro que você quase me matou! Como pode ser tão cruel com seu filho?”
O pai disse: “Conte-me o que aconteceu, não o que fez. O que aconteceu depois que eu tranquei a porta?”
O filho disse: eu me tornei outra pessoa. A morte estava tão perto! Nunca senti tanta energia naquele hora. Tudo estava em jogo – viver ou morrer. Eu me senti totalmente consciente. Nunca estive tão consciente em minha vida. Transformei-me na própria consciência, porque cada momento era precioso. De um modo ou de outro, tudo estava para ser decidido. Então, uma criada passou pela porta com uma vela na mãos. Sua pergunta foi certa: “O que aconteceu?”, porque não posso dizer que “eu” fiz aquilo. Mas de algum modo fiz um barulho parecido com o de um gato. Ela abriu a porta e olhou para dentro com seu vela.
“Não posso dizer que “eu” fiz aquilo. Soprei a vela, empurrei-a e corri. Comecei a correr com tanta força que não podia dizer que”eu” estava correndo. A corrida aconteceu. “Eu” nem estava lá; não estava la de jeito nenhum. Havia apenas uma força em movimento.
“Eles me seguiram. Passei por um poço profundo. E aconteceu. Não posso dizer que “eu” fiz aquilo, mas peguei uma pedra e joguei-a no poço. Eles rodearem o poço e pensaram que o ladrão Havia caído nele. Assim agora estou aqui.”
Quando ele terminou, o pai estava dormindo profundamente. Ele nem tinha ouvido a história. De manha, ele disse: “Os detalhes são irrevelantes. A arte não pode ser contada, apenas demonstrada através de exemplos vivos, de comunhão constante”.
Bhagwan Shree – Eu Sou a Porta

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Arte do Arco-e-Flecha

No Japão, um professor alemão, Herrigel, estava aprendendo a arte do arco-e-flecha com um mestre Zen. Ele se tornou perfeito, 100% perfeito, não errava nenhum alvo.
Naturalmente, ele disse ao mestre: "Agora o que resta aprender aqui? Posso ir embora agora?".O mestre respondeu: "Você pode ir, mas não aprendeu nem o bê-á-bá da minha arte".
Herrigel disse: "O bê-á-bá da sua arte? Mas eu sempre acerto o alvo!".
O mestre replicou: "Quem está falando em alvo? Qualquer tolo pode fazer isso, basta praticar. Isso não tem nada de mais; agora é que começa a verdade. Quando o arqueiro pega o arco e a flecha e mira o alvo, há três coisas aí: uma é o arqueiro, o mais fundamental e básico, a fonte, a essência; depois há a flecha, o que passará do arqueiro para o alvo; e depois há o "olho do touro", o alvo, o ponto mais distante. Se você acertou o alvo, atingiu o mais distante, tocou na periferia. Você precisa tocar na fonte; você se tornou tecnicamente um especialista em atingir o alvo; mas, se estiver tentando penetrar nas águas mais profundas isso não é muito. Você é um especialista, é uma pessoa de conhecimento, mas não de sabedoria. A flecha se movimenta a partir de você, mas você não sabe de que fonte vem a energia que a movimenta, com qual energia. Como ela se movimenta? Quem a está movimentando? Você não sabe isso, não conhece o arqueiro.Você praticou o arco-e-flecha, o alvo você acertou, sua pontaria foi 100% perfeita, você se tornou eficiente com um nível de perfeição de 100%, mas isso se refere ao alvo. E você? E o arqueiro? Alguma coisa aconteceu no arqueiro? Sua consciência mudou um pouco? Não, nada mudou. Você é um técnico e não um artista. Você vê as flores de uma árvore, mas esse não é o conhecimento real, a menos que você penetre fundo e conheça as raízes. As flores dependem das raízes; elas nada mais são do que a expressão da essência das raízes. As raízes estão carregando a poesia, a fonte, a seiva que se tornarão as flores, que se tornarão os frutos, que se tornarão as folhas. E, se você contar continuamente somente com as flores, os frutos e as flores e nunca penetrar na escuridão da terra, nunca entenderá a árvore, pois a árvore está nas raízes."